2009-11-21

à frente da porta


Cala-se como gardênia numa voz que não sai. A boca velada é ouvir como flor no meio do jardim ao banho tinto. Um vazio tão grande por cheia ao esvaziamento que muitos não ousam atrapalhar. Interrupção ? Queixa-se em momentos ao fardo sucetível da poesia, por triste olhar que não vê. A pintura de guerra na alma em noite sem rumo. E é mistura de vento e lama. Escreve sem brilho, à frente da porta, a fim de que morra deitadinha abraçada cantando a voz do pedaço que molha a boca. Desafinada em vida no papel de caçadora ao trilho do conserto por concerto. Faz seus pareceres descritivos numa rua silenciosa e a mobilha parado como quando os anjos silenciaram no momento da reviravolta. Maestro no saber de cór cada traço do rosto, do olhar e da voz. Escondida por trás do espelho em presente. Abri-la ? Em mudez, que aperta a nota escapar. Desaba no sentir e encara tudo na real sinceridade que assusta. Aterroriza-se, na fala da tênue linha. Trêmula, mas audaciosa no autor que pinta a lua na mão. Sensações dum ingênuo coração ? As letras ao momento pesa temor e tremor quando senti a presença e se esconde. E o cheiro preso se esvaie proclamando que há uma falta. Por frações do celestial que não é devaneios, se curva. Escondida do mundo e o sol da cor da terra e a lua da cor do mar são gestos não perdidos. Curvar que anuncia está sendo pistas de uma louca no abraço apertado. Na maneira do que pinta arco-íris e dá as respostas. Salva quando o tempo de regras se escapa embrenhando ao toque do piano em anuncio por acordar sempre cedo. O cedo é bálsamo, mas sermões fazem a poesia junto ao palco se peder na longa tarde. Um ar recuado desfazendo o doce feito com leite condensado. Como não ser queimada a morada ? Acordada pelas madrugadas, em canto, esmiuça a necessidade de ler, reler o escrito de pauta íntima. Diferente ? Sim ! Uma maluca à beira do que soa tão doce e entrelinhado aos ouvidos. Num chamado de si pra ele no pensamento dos olhos em escuta. Feita e refeita na partitura da criação, que é capaz de ficar olhando horas a fio num quadro em aparente embaçamento. Não pisca. É palavra em presente que desabrocha em versões renováveis por coração aberto. Atenção em olhos nos olhos por atuação em puro silêncio que denota atentar aos nuances. O incondicional que encharca completude por busca ao mais intenso. E na passagem da borboleta ao Paris desenhado em visão mortal não resiste e implica grudar ao dono por se ter fica hoje, e mais um hoje. Na fala da não pergunta do ser tão subliminar pra não desaparecer dos dedos que partituram o gosto de querer mais. Letrativo movimental que canta e fala mistérios em equações de busca ao tal desvendar que é tão simples. Calmaria. O toque da estrela da manhã com fala na linha tênue que arranca lágrimas de intelectofúteis. Faz a vida sensível por emoções à flor da pele. Do sentir tu nele e nele tu e recolhe o casado e a noite desce em segredos. Instigante e envolvente, prende até a última palavra. Por ofertar manhãs em partos e nascer ao renascer em tardes que esmiuçam nebulosidade na amostragem de existência sobre o não existir. O dia que não está tão longe e demonstra infinitos tempos no correr mais depressa a seu tempo. Livro que desperta e a noite acaba por perder no acabar de alcançar a plenitude do olhar ao sorriso cúmplice. E mãos como sinal de que o pouso sobreveio em embalados do que foi ouvido por uma música suave indelével e sinfonia indescutível.



Passa uma borboleta por diante de mim
e pela primeira vez no universo eu reparo
que as borboletas não têm cor nem movimento,
assim como as flores não têm perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
no movimento da borboleta o movimento é que se move.
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta
E a flor é apenas flor.
-Alberto Caeiro-


.canteiro pessoal

2009-11-09

Nela o fica. Fica nela?



Desde ao amanhecer até o pôr- do-sol ser dedos em teus dedos em deslize. Preciso da sua combinação de notas e acordes que vão se acasalando numa valsa harmoniosa. Faz-me instrumento de ti no pousar em teus olhos. Na polpa dos teus dedos em asa na hora do poente. Em favo de mel da tua voz cantar o colorir sobre o branco em dias adormecidos. As incontáveis palavras de ternura exalante em seu silêncio que fala pontuação em reticências. Ao ponto da entrada tão perto ao longe, perto da profundidade sempre nova. Na geografia do curvo que vem de ti em partituras que me põe à escuta. Na tua voz tinjo horas na ligação para ouvir a tua voz em vai e vem. Um timbre e uma tonalidade de hálito de fonte. Dorme comigo, me vigia de noite, segura minha mão para escrever o teu nome em folhas múltiplas e dizê-lo em voz suave até o sol raiar. Beija a palma. Olha-me em lua branca. Apaga as luzes da cidade que me roubam do serena. Habitat na bruma do teu silêncio que rasga meu fechado. Seu sorriso é marca do abrir portas e sol e lua em abraços e afagos vão ao encontro. A melodia que me descreve está em seus braços e me conduz embrenhar na composição de desdobras. O vinho em cartões de visita em revisita. Teu nome é da tribo rara no deixar em minha sacada suspiros e voz que rasga o véu por gotas em função de carícias. E paro no ritmo certo, no teu. Tocada em ouvir-te. Teus olhos em cheiro de tinta fresca me procurando. Na linha das tuas mãos sou linha para tuas cifras. Sua música nos meus dedos o assunto que me dá gosto. A língua minha sensação em mãos quentes, pois seu tato na pele me vesti a alma em cura. Meus ouvidos nos teus ouvidos, os sussurros das palavras que ousam me confessar em teus deleitos. Em sua partitura escrita à mão um concerto de Mozart e um copo tinto de vinho. Meu pensamento diante do teu semblante não me faz sentir sozinha. Fica, mais uma vez ? Fique, não vá, me curvo. Torna-me em carícia ao vôo no emitir pelo chão aquecido vários tipos de sons. Em papel de serenata em madrugadas por teu despertar. Aqui dentro, a chuva que me faz te enxergar. E os primeiros acordes como nuvem beijando o mar. Cavalgar no desalisar ao alisar na linguagem do eu posso em ti. A chuva molhando minhas madeixas por teus dedos serem o meu sorriso na vida de quem me escreve. O simples e único sabor que há em suas palavras que cantam vogais e consoantes em um casamento perfeito. Tão belas por seres belo por colocar-te em poemas que me guardam em ti. Não mais ser ocupada em ser um papel, mas enxergar a tua escrita nadando em minha veia. A tua elegância que ajeita meus pés ao chão novo. Veja ! Meus pulsar no teu peito. Ouça ? É palco tua chuva vibrante. Passarela dos meus ritmos. Bailo teu som. Sem teu aguaceiro não coreografo teus dedos em musicalidade.


.canteiro pessoal

2009-10-30

.sem disfarce exprimi-lo


A tua palavra quando me conhece flores se abrem. Palavras guias. No teu toque, meus atalhos desfalecem, e o melhor de ti é o meu pensamento em ti. Mata desvirginada em processo de virginação. E aonde passo, desabrocha-se em olhares desconhecidos. Quando a palavra é parada obrigatória em prazer, pelo campo corro e ando contigo para ver-te colher flores. - Correr ? Sim. Corro por sua conta. A primeira nota perdida é achada no espelho do tempo. Alta no céu flutuo. A lua da primavera me faz pensar em ti. Dentro de mim estou completa. Nas noites longas em que me despeço de um eu, penso no teu nome que é areia macia sob meus pés. Nos amanhãs que andaras comigo por jardins secretos. Por cheias marcas de lama na alma procuro ter mãos vazias para adentar em tuas mãos abundantes. Colher flores de campo. O seu contorno de olhar e paleta de Amsterdam são alvorada. Da inundação da colheita o espraiar do mar despreguiça a poesia. Na suave brisa do vento meu tesouro é teu letrativo vival cantarolado em serenata nos olhos. Os meus sentidos são toldados ao brilho da lua dos seus olhos que mostram sobre a escuridão o bem de perto do clarear em palavras. Aflora em minha pele o segredo da música. Acordo com teu cheiro. Ao travesseiro em passos leves para catar mais da fragrância que é traduzido na forma de uma criança que se abraça afetuosamente e segura aos braços. Para o meu dia, o teu sorriso aquece as melodias que escuto no interior. Não jogar dizer, mas falar e escrever por nada resistir. Vem de dentro, não vem do corpo, vem do que na mistura da música que fala e escreve o faz sentido e liberta no dizer. As pálpebras cansadas por mergulhar sem receio ao teu seio maternal. Na tua expressão minha boca sobre a tua me fazendo vibrar enleios. Minha língua busca os gemidos inexprimiveis por sentir teu sangue misturar-se ao meu. Não mais meu, e sim o dueto. Tentei ser fria, mas tu és tão quente que me derreti. É ali, sempre será ali. No meio do jardim o que tudo fica e o sol por nunca parar de brilhar, pois o sol é teus próprios olhos. Ouço a música que não é momento e danço e canto, e nos tornamos uma grande família. Um dia falei-te da falta que tinha e continuo sempre a falar-te da falta que me fazes, para que abra minha mente e veja como tu em liberdade de ser-me em ti. No inclinado ato do sangue que jorra livremente e criar dia puro em meu palco. Livre como o vento e repetida como o florir das ondas ordenadas. Nenhuma estrela queima o teu perfil. E nenhum deus que lembra do teu nome é capaz de fazer careta diante do que diz. O vento nem passa onde tu passas, pois desvia diante de seus saltos sobre as montanhas. A palavra tem o som da tua voz. Na minha boca atrapalhada para dizer o teu nome que estende um tapete futuro, removendo de meus turvos olhos por tanto te falar em lábios alfabéticos e caçá-lo em partituras do mover em ti. Nas tuas artérias versos em branco por secreto e sem medida por descoberta. Seu corpo que respira como céu aberto. Os meus suspiros, e os meus gemidos derramam-se como água, pois existe a fala do silêncio que me cala no fundo e canta passos de coragem em casa escura. É aberta minha varanda para teu riso e pra tua voz que reenfeita à luz do meu dia. O seu canto e recanto em voz de junto é verbo. Voz certa de uma só letra e um só caminho a embarcar e assina na pele sem disfarce o que pulsa. Pulsa humanos agregados em seu ninho.


.canteiro pessoal

2009-10-26

A Razão do Encontro


? .as fases refrativas do vidro criam uma onda de dispersão e se olho lá dentro vejo todas as cores possíveis e impossíveis. Por lógica que leva a razão e por uma vida de busca, ecoa: o que realmente é a lógica ? Numa análise confiável em vida íntima no obter resultados, resolutiva com eficácia é que o leque do diferente se faz atuante. A pena no conhecer cores naturais ao sobrenatural. Tempo generoso à beira da praia para redefinir as minhas noções ao som do infantil na infância e de romance. Qual o tamanho do universo ? Infinito ! Minha procura entre as letras me conduz pelas ondas de idas e voltas à descoberta mais importante da minha carreira. O amor. Na ponta do lápis esmiuço a língua do se ler com os olhos. Palavras com um tom de heroína romântica por fazer parte da carta íntima. A escrita nas suas melhores letras, sílabas e palavras. Pura entonação nos acordes que me fazem constatar que é toda a minha razão. Razão do meu existir. No par de olhos sensíveis que me constroi num universo caseiro e segura na sua morada interior. Habitat de intensa pulsação. Da costura de letra por letra, e, pondo esmero na rotina em discreta prontidão. Tal na quebra de paradigmas e dogmas separatistas. Nos retiros mais íntimos, refaz-me numa palavra e outra. Suas sugestões em brandura, muito bem coerentes e coesivas são o abrir de seus braços no me pincelar num pensamento profundo. Choro o choro que me lava vermelho e faz trilho por segui-lo com mais inteireza e curvar, pois em frações gritantes e desconexas sou-me de pedaços despedaçada em nome. Fria. Sentada numa cadeira de balanço por dita manhã clara, minha procura me leva através do físico, do metafísico e do delírio, nas misteriosas equações do amor. A chave do meu calabouço. Derreto-me. Nas suadas linhas da minha imperfeição por uma alma que gemi acordar das lacunas escuras ainda existentes e não em sonho nem por mente gulosa do alfabético, mas por tal extravagância de ver com os próprios olhos nos olhos do que é manto branco esvoaçante na tecla do sempre. Em folhas múltiplas que o narrador pinta as expressões e as traduz com belos bons dias na boca de uma tela abstrata. Tudo tão dançante e claro, que, fechar minhas pálpebras é apreciá-lo numa atitude intensa perante o seu céu azul e límpido. Vento forte que desentoca meu ser entocado no deserto, pássaro sem asas proveniente de outrora por presente-futuro em pele no abstrato do impossível inimaginável sentir de vida. Atmosfera inteira que penetra minhas entranhas e esparrama-se pelas veias do meu pulsar o acima das nuvens. Por partituras misteriosas no que em uma nota se faz recordar o por uma vez em selo da chegada e sem partida. Quantas noites adentro pincelo gotículas contando as estrelas para chegar até ti sempre sendo a primeira vez. É meu arder não tolo. Protagonista que não escreve para si, pois seu papel em cena não é do monstro de orgulho e vaidade, mas do que aproxima suas obras literárias de puro movimento ao leitor. Leitora em atitude de não deixá-lo para juntar pó na prateleira sem jamais ter lido seus parágrafos sedentos, mas em decisão ao atuar minha alma nua no teu nú de cristalina. Meu cheiro declama muso no amor de lua cheia que amanhece em constante ato. Ao vosso persuadir num atrair em expressivas prosas a ler e reler como quem percorre um território sempre virgem. Versos que fecundam cantar sem voz, por cantar sua voz. ?


.canteiro pessoal