
Cala-se como gardênia numa voz que não sai. A boca velada é ouvir como flor no meio do jardim ao banho tinto. Um vazio tão grande por cheia ao esvaziamento que muitos não ousam atrapalhar. Interrupção ? Queixa-se em momentos ao fardo sucetível da poesia, por triste olhar que não vê. A pintura de guerra na alma em noite sem rumo. E é mistura de vento e lama. Escreve sem brilho, à frente da porta, a fim de que morra deitadinha abraçada cantando a voz do pedaço que molha a boca. Desafinada em vida no papel de caçadora ao trilho do conserto por concerto. Faz seus pareceres descritivos numa rua silenciosa e a mobilha parado como quando os anjos silenciaram no momento da reviravolta. Maestro no saber de cór cada traço do rosto, do olhar e da voz. Escondida por trás do espelho em presente. Abri-la ? Em mudez, que aperta a nota escapar. Desaba no sentir e encara tudo na real sinceridade que assusta. Aterroriza-se, na fala da tênue linha. Trêmula, mas audaciosa no autor que pinta a lua na mão. Sensações dum ingênuo coração ? As letras ao momento pesa temor e tremor quando senti a presença e se esconde. E o cheiro preso se esvaie proclamando que há uma falta. Por frações do celestial que não é devaneios, se curva. Escondida do mundo e o sol da cor da terra e a lua da cor do mar são gestos não perdidos. Curvar que anuncia está sendo pistas de uma louca no abraço apertado. Na maneira do que pinta arco-íris e dá as respostas. Salva quando o tempo de regras se escapa embrenhando ao toque do piano em anuncio por acordar sempre cedo. O cedo é bálsamo, mas sermões fazem a poesia junto ao palco se peder na longa tarde. Um ar recuado desfazendo o doce feito com leite condensado. Como não ser queimada a morada ? Acordada pelas madrugadas, em canto, esmiuça a necessidade de ler, reler o escrito de pauta íntima. Diferente ? Sim ! Uma maluca à beira do que soa tão doce e entrelinhado aos ouvidos. Num chamado de si pra ele no pensamento dos olhos em escuta. Feita e refeita na partitura da criação, que é capaz de ficar olhando horas a fio num quadro em aparente embaçamento. Não pisca. É palavra em presente que desabrocha em versões renováveis por coração aberto. Atenção em olhos nos olhos por atuação em puro silêncio que denota atentar aos nuances. O incondicional que encharca completude por busca ao mais intenso. E na passagem da borboleta ao Paris desenhado em visão mortal não resiste e implica grudar ao dono por se ter fica hoje, e mais um hoje. Na fala da não pergunta do ser tão subliminar pra não desaparecer dos dedos que partituram o gosto de querer mais. Letrativo movimental que canta e fala mistérios em equações de busca ao tal desvendar que é tão simples. Calmaria. O toque da estrela da manhã com fala na linha tênue que arranca lágrimas de intelectofúteis. Faz a vida sensível por emoções à flor da pele. Do sentir tu nele e nele tu e recolhe o casado e a noite desce em segredos. Instigante e envolvente, prende até a última palavra. Por ofertar manhãs em partos e nascer ao renascer em tardes que esmiuçam nebulosidade na amostragem de existência sobre o não existir. O dia que não está tão longe e demonstra infinitos tempos no correr mais depressa a seu tempo. Livro que desperta e a noite acaba por perder no acabar de alcançar a plenitude do olhar ao sorriso cúmplice. E mãos como sinal de que o pouso sobreveio em embalados do que foi ouvido por uma música suave indelével e sinfonia indescutível.
Passa uma borboleta por diante de mim
e pela primeira vez no universo eu reparo
que as borboletas não têm cor nem movimento,
assim como as flores não têm perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
no movimento da borboleta o movimento é que se move.
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta
E a flor é apenas flor.
-Alberto Caeiro-
.canteiro pessoal


