2009-11-09

Nela o fica. Fica nela?



Desde ao amanhecer até o pôr- do-sol ser dedos em teus dedos em deslize. Preciso da sua combinação de notas e acordes que vão se acasalando numa valsa harmoniosa. Faz-me instrumento de ti no pousar em teus olhos. Na polpa dos teus dedos em asa na hora do poente. Em favo de mel da tua voz cantar o colorir sobre o branco em dias adormecidos. As incontáveis palavras de ternura exalante em seu silêncio que fala pontuação em reticências. Ao ponto da entrada tão perto ao longe, perto da profundidade sempre nova. Na geografia do curvo que vem de ti em partituras que me põe à escuta. Na tua voz tinjo horas na ligação para ouvir a tua voz em vai e vem. Um timbre e uma tonalidade de hálito de fonte. Dorme comigo, me vigia de noite, segura minha mão para escrever o teu nome em folhas múltiplas e dizê-lo em voz suave até o sol raiar. Beija a palma. Olha-me em lua branca. Apaga as luzes da cidade que me roubam do serena. Habitat na bruma do teu silêncio que rasga meu fechado. Seu sorriso é marca do abrir portas e sol e lua em abraços e afagos vão ao encontro. A melodia que me descreve está em seus braços e me conduz embrenhar na composição de desdobras. O vinho em cartões de visita em revisita. Teu nome é da tribo rara no deixar em minha sacada suspiros e voz que rasga o véu por gotas em função de carícias. E paro no ritmo certo, no teu. Tocada em ouvir-te. Teus olhos em cheiro de tinta fresca me procurando. Na linha das tuas mãos sou linha para tuas cifras. Sua música nos meus dedos o assunto que me dá gosto. A língua minha sensação em mãos quentes, pois seu tato na pele me vesti a alma em cura. Meus ouvidos nos teus ouvidos, os sussurros das palavras que ousam me confessar em teus deleitos. Em sua partitura escrita à mão um concerto de Mozart e um copo tinto de vinho. Meu pensamento diante do teu semblante não me faz sentir sozinha. Fica, mais uma vez ? Fique, não vá, me curvo. Torna-me em carícia ao vôo no emitir pelo chão aquecido vários tipos de sons. Em papel de serenata em madrugadas por teu despertar. Aqui dentro, a chuva que me faz te enxergar. E os primeiros acordes como nuvem beijando o mar. Cavalgar no desalisar ao alisar na linguagem do eu posso em ti. A chuva molhando minhas madeixas por teus dedos serem o meu sorriso na vida de quem me escreve. O simples e único sabor que há em suas palavras que cantam vogais e consoantes em um casamento perfeito. Tão belas por seres belo por colocar-te em poemas que me guardam em ti. Não mais ser ocupada em ser um papel, mas enxergar a tua escrita nadando em minha veia. A tua elegância que ajeita meus pés ao chão novo. Veja ! Meus pulsar no teu peito. Ouça ? É palco tua chuva vibrante. Passarela dos meus ritmos. Bailo teu som. Sem teu aguaceiro não coreografo teus dedos em musicalidade.


. canteiro pessoal

2009-10-30

.sem disfarce exprimi-lo


A tua palavra quando me conhece flores se abrem. Palavras guias. No teu toque, meus atalhos desfalecem, e o melhor de ti é o meu pensamento em ti. Mata desvirginada em processo de virginação. E aonde passo, desabrocha-se em olhares desconhecidos. Quando a palavra é parada obrigatória em prazer, pelo campo corro e ando contigo para ver-te colher flores. - Correr ? Sim. Corro por sua conta. A primeira nota perdida é achada no espelho do tempo. Alta no céu flutuo. A lua da primavera me faz pensar em ti. Dentro de mim estou completa. Nas noites longas em que me despeço de um eu, penso no teu nome que é areia macia sob meus pés. Nos amanhãs que andaras comigo por jardins secretos. Por cheias marcas de lama na alma procuro ter mãos vazias para adentar em tuas mãos abundantes. Colher flores de campo. O seu contorno de olhar e paleta de Amsterdam são alvorada. Da inundação da colheita o espraiar do mar despreguiça a poesia. Na suave brisa do vento meu tesouro é teu letrativo vival cantarolado em serenata nos olhos. Os meus sentidos são toldados ao brilho da lua dos seus olhos que mostram sobre a escuridão o bem de perto do clarear em palavras. Aflora em minha pele o segredo da música. Acordo com teu cheiro. Ao travesseiro em passos leves para catar mais da fragrância que é traduzido na forma de uma criança que se abraça afetuosamente e segura aos braços. Para o meu dia, o teu sorriso aquece as melodias que escuto no interior. Não jogar dizer, mas falar e escrever por nada resistir. Vem de dentro, não vem do corpo, vem do que na mistura da música que fala e escreve o faz sentido e liberta no dizer. As pálpebras cansadas por mergulhar sem receio ao teu seio maternal. Na tua expressão minha boca sobre a tua me fazendo vibrar enleios. Minha língua busca os gemidos inexprimiveis por sentir teu sangue misturar-se ao meu. Não mais meu, e sim o dueto. Tentei ser fria, mas tu és tão quente que me derreti. É ali, sempre será ali. No meio do jardim o que tudo fica e o sol por nunca parar de brilhar, pois o sol é teus próprios olhos. Ouço a música que não é momento e danço e canto, e nos tornamos uma grande família. Um dia falei-te da falta que tinha e continuo sempre a falar-te da falta que me fazes, para que abra minha mente e veja como tu em liberdade de ser-me em ti. No inclinado ato do sangue que jorra livremente e criar dia puro em meu palco. Livre como o vento e repetida como o florir das ondas ordenadas. Nenhuma estrela queima o teu perfil. E nenhum deus que lembra do teu nome é capaz de fazer careta diante do que diz. O vento nem passa onde tu passas, pois desvia diante de seus saltos sobre as montanhas. A palavra tem o som da tua voz. Na minha boca atrapalhada para dizer o teu nome que estende um tapete futuro, removendo de meus turvos olhos por tanto te falar em lábios alfabéticos e caçá-lo em partituras do mover em ti. Nas tuas artérias versos em branco por secreto e sem medida por descoberta. Seu corpo que respira como céu aberto. Os meus suspiros, e os meus gemidos derramam-se como água, pois existe a fala do silêncio que me cala no fundo e canta passos de coragem em casa escura. É aberta minha varanda para teu riso e pra tua voz que reenfeita à luz do meu dia. O seu canto e recanto em voz de junto é verbo. Voz certa de uma só letra e um só caminho a embarcar e assina na pele sem disfarce o que pulsa. Pulsa humanos agregados em seu ninho.


. canteiro pessoal

2009-10-26

A Razão do Encontro


? .as fases refrativas do vidro criam uma onda de dispersão e se olho lá dentro vejo todas as cores possíveis e impossíveis. Por lógica que leva a razão e por uma vida de busca, ecoa: o que realmente é a lógica ? Numa análise confiável em vida íntima no obter resultados, resolutiva com eficácia é que o leque do diferente se faz atuante. A pena no conhecer cores naturais ao sobrenatural. Tempo generoso à beira da praia para redefinir as minhas noções ao som do infantil na infância e de romance. Qual o tamanho do universo ? Infinito ! Minha procura entre as letras me conduz pelas ondas de idas e voltas à descoberta mais importante da minha carreira. O amor. Na ponta do lápis esmiuço a língua do se ler com os olhos. Palavras com um tom de heroína romântica por fazer parte da carta íntima. A escrita nas suas melhores letras, sílabas e palavras. Pura entonação nos acordes que me fazem constatar que é toda a minha razão. Razão do meu existir. No par de olhos sensíveis que me constroi num universo caseiro e segura na sua morada interior. Habitat de intensa pulsação. Da costura de letra por letra, e, pondo esmero na rotina em discreta prontidão. Tal na quebra de paradigmas e dogmas separatistas. Nos retiros mais íntimos, refaz-me numa palavra e outra. Suas sugestões em brandura, muito bem coerentes e coesivas são o abrir de seus braços no me pincelar num pensamento profundo. Choro o choro que me lava vermelho e faz trilho por segui-lo com mais inteireza e curvar, pois em frações gritantes e desconexas sou-me de pedaços despedaçada em nome. Fria. Sentada numa cadeira de balanço por dita manhã clara, minha procura me leva através do físico, do metafísico e do delírio, nas misteriosas equações do amor. A chave do meu calabouço. Derreto-me. Nas suadas linhas da minha imperfeição por uma alma que gemi acordar das lacunas escuras ainda existentes e não em sonho nem por mente gulosa do alfabético, mas por tal extravagância de ver com os próprios olhos nos olhos do que é manto branco esvoaçante na tecla do sempre. Em folhas múltiplas que o narrador pinta as expressões e as traduz com belos bons dias na boca de uma tela abstrata. Tudo tão dançante e claro, que, fechar minhas pálpebras é apreciá-lo numa atitude intensa perante o seu céu azul e límpido. Vento forte que desentoca meu ser entocado no deserto, pássaro sem asas proveniente de outrora por presente-futuro em pele no abstrato do impossível inimaginável sentir de vida. Atmosfera inteira que penetra minhas entranhas e esparrama-se pelas veias do meu pulsar o acima das nuvens. Por partituras misteriosas no que em uma nota se faz recordar o por uma vez em selo da chegada e sem partida. Quantas noites adentro pincelo gotículas contando as estrelas para chegar até ti sempre sendo a primeira vez. É meu arder não tolo. Protagonista que não escreve para si, pois seu papel em cena não é do monstro de orgulho e vaidade, mas do que aproxima suas obras literárias de puro movimento ao leitor. Leitora em atitude de não deixá-lo para juntar pó na prateleira sem jamais ter lido seus parágrafos sedentos, mas em decisão ao atuar minha alma nua no teu nú de cristalina. Meu cheiro declama muso no amor de lua cheia que amanhece em constante ato. Ao vosso persuadir num atrair em expressivas prosas a ler e reler como quem percorre um território sempre virgem. Versos que fecundam cantar sem voz, por cantar sua voz. ?


.canteiro pessoal

2009-10-17

.pelo que ser agora em ti


Cante mais um pouco. É o meu ser que grita. Ser que respira difícil. Estou à procura no que me torna suave como seu respirar. Escrevo por mãos vazias de letras. Não possuo letras. As letras não as crio. Criada fui nelas e por ti dono das pertencentes letras. Reconheço. Apenas abra a boca e eu preencherei. Não há o que contestar sobre seu letrativo movimental. O seu ser é cheio, tudo é procriar que foge de teoria. Prática vosso nome. Dedos que fluem como nascente. Apenas mergulho para que meus dias sejam elevados em gestos ternos. Minha pele é anoitecida. Cato palavras ao correr como uma gazela por nuances da prática. Acontece-me que aprecio tropeçar um tropeço por seus meigos atos de pele matinal. Sopro teu que me conduz à beira da praia em manhãs. E começo a chorar na boca que chama meu nome. É nela que respiro. O lugar da tua imagem quebra meu ego. Tatua em mim não mais timidez em ser-me. O tempo do teu parar resgata toque perdido no meu caminho. De olhos fixos na lareira torna-se morada que transborda dentro de mim, o fora de mim mesma. Mim mesma é deserto. Dentro de mim ao lugar da tua claridade. A solidão que não se faz mais espera. Sem ausentes olhos, pois no presente vento da tua boca ouço-te respirar. Tu com os teus pés feridos do caminho. Pediste-me de beber e água quente para os teus pés. Era eu, capaz de caminhar contigo ? E eis que me deparei na tua voz. Como poderia abandonar o conforto do pedido ? Aquele sofá, aquele crepitar da lareira ? Deixar a casa do pedido, abandoná-la ? Deixá-lo à mercê do pó, do esquecimento e do teu partir da maçaneta ? Na fragrância em cristalina as lágrimas secas que não me deixavam chorar são nulas. Gravo-te nos meus dedos e todos na minha volta ficam por não entender e me cobram mais presença no plano real. Só que no tanto real, morro o viver que me apresentam. O meu escrever horas a fio no papel partituras, desagradam quem está ao meu redor. Não me entendem e sou ser que se faz silêncio. Resposta é meu silenciar. Na escrita me despeço de mim, para que tua entrada amadureça meus frutos. Escrever-te e encontrá-lo é canção se florir, e tudo em mim se estabiliza. No presente que escuto, meu olhar absorve palavras que não se traduzem. Mas, palavras que dançam. E dançar-te é intraduzível. Apenas e apenas solto-me na fragrância dos seus lábios. E o teu pulsar de poema deixa em mim marcas que borrachas não apagam. Em flor suavíssima que prometo-te, mesmo sendo nome em imperfeição, o estar escondida nos seus pares brilhantes. Escrever o que está escrito. Beber a escrita em sede. De olhos fechados absorver os teus abertos num novo horizonte por dar-te. O letrativo no suave ao desejo ardente das palavras que nomeiam silêncio. Amor que lava as bolinhas cinzentas na xulinga. E é brancura o som que me importa. A canção que atravessa e não se dança medo. Os teus traços que me libertam docilmente de temores visíveis e invisíveis. O percurso até tua boca é meu trilho. É meu corpo letrativo achado no interior do que atuou silêncio no caminho de Emaús. Confesso que em clic's num dia me perco do Emaús e a tristeza vem dormir junto de mim na cama. Meus atos que fazem separação por possuída de um súbito externo que anuncia e o poema me pesa. O mundo é cruel e reconta no meu palco, e no mental e falas vou ao último ato que é a ação assumindo a prática. Distanciando-me de ti, a névoa assobia e não me faz lembrar da imagem do que fora de início. Então, rasgar-me em sangue, ir à epiderme por anúncio de alma nua é passo importante, tudo para resgatar em existência o sol. As cores de um abismo que é nulo, que tu não és. O pulsar enquanto espero o tempo que não avança. A flor machucada no jardim que morreu por mim. E o pensamento vai longínquo na folha mesmo amarelada e a tinta desliza luar que reavisa a tua face. Face que veste de branco teus contornos.


"Conforme os dias se vão, diante de meu rosto, enquanto a guerra estoura na minha frente, me encontro, nos últimos dias de existência, desse pobre vilarejo, esse parasita dentro de mim, o fiz sair. Na escuridão da tempestade jaz um mal, mas esse sou eu".


.canteiro pessoal